Freguesia das Quatro Ribeiras


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Freguesia

A Freguesia

A Freguesia das Quatro Ribeiras




Primeira povoação da ilha Terceira. É atravessada por quatro ribeiras (daí o seu nome), está situada sobre uma rocha, sobranceira ao mar.

A dezoito quilómetros da sede do concelho, a freguesia de Quatro Ribeiras é uma das mais antigas da ilha Terceira, pois é voz corrente que foi uma das primeiras a ser edificada pelos colonizadores. Atravessam-na quatro ribeiras, que estiveram na base do seu nome.
Segundo alguns autores, foi por esta zona da ilha, onde se situa Quatro Ribeiras, que os primeiros povoadores da Terceira iniciaram a sua colonização. Conforme refere Gaspar Frutuoso em “Saudades da Terra”, “afirmam os povoadores antigos da ilha Terceira que fora primeiro descoberta pelo lado norte, onde chamam as Quatro Ribeiras, em que agora está uma freguesia da advocação de Santa Beatriz, que foi a primeira igreja que houve na ilha, mas não curaram os descobridores de viver ali por ser terra muito fragosa e de ruim porto e, rodeando a terra pela costa, acharam outro melhor”. Esse outro era, obviamente, Angra do Heroísmo.
Na igreja paroquial, pode ver-se na fachada a inscrição de 1455-1460. Este facto não significa que seja essa a data da construção do templo. Aliás, por esta altura ainda a Terceira devia estar deserta, ou se já estivesse povoada seria há muito pouco tempo.
Sabe-se, no entanto, que em 1482 a povoação já existia. Prova-o os registos das dadas das terras, “pelo ouvidor Afonso do Amaral, e o almoxarife Álvaro Lopes, concedendo-os a Fernando Anes morador nas Quatro Ribeiras (...)”. Ora este documento, datado daquele ano, demonstra à sociedade que nessa altura a terra já estava habitada. O que não deveria estar era fundada a nível administrativo ou eclesiástico.
O templo paroquial de Quatro Ribeiras assegurou a sua existência até hoje. Atravessou décadas, incólume, mas ficou praticamente arruinado com o grande terramoto de 1980. Perdeu funcionalidade e foi fechado ao público. Uma descrição de meados do século permite vislumbrar nele a beleza de outrora: “É muito poética a sua igreja paroquial, pelas suas fumaças de grandeza e majestade, e pela seriedade com que, sendo tão pequena, se ergue sobre oito colunas formando três naves”.
Sobre a sua fisionomia em meados do século, referia a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”: “Situada em região muito acidentada, onde correm quatro ribeiras, que lhe deram o nome, é notável pela sua exuberante arborização, onde os cedros deram lugar às acácias, eucaliptos e pinheiros. É também fértil em milho, trigo, batatas, feijão, etc.” Actualmente, com cerca de quinhentos habitantes, a agricultura continua a ser a principal actividade da sua população, mas a pequena indústria vai registando também algum desenvolvimento.



Os Moinhos

Com grande custo e dificuldade, assentados sobre a rocha, onde começa uma grande muralha com escadaria para descer ao mar, um monumento duradouro do seu poderio, e certamente um trabalho de uma utilidade para os povos de além que a eles vinham moer”, o pequeno excerto retirado dos Apontamentos para a História da Ilha Terceira de Francisco Ferreira Drumond, exemplifica a perseverança do povo das Quatro Ribeiras em contrariar as adversidades morfológicas motivadas por um terreno deveras acidentado, cavado por pequenos cursos de água e um clima fustigado por nortadas. Com o estabelecimento dos primeiros colonos, vieram estruturas capazes de proporcionar um quotidiano mais aprazível. Nas Quatro Ribeiras, os moinhos ou azenhas, fazem parte desses primeiros ensaios civilizacionais na ilha Terceira
Por volta de 1482, o povo das Quatro Ribeiras e limítrofes já moíam em moinhos mandados erguer por Álvaro Martins Homem. Terão existido cerca de dez engenhos ao longo das ribeiras com caudal suficientemente forte para moer o trigo.
Apresentando uma tipologia bem mais pequena e de diferente funcionalidade da maioria encontrada nos moinhos da freguesia de Agualva, actualmente encontram-se alguns destes espécimes nas margens de algumas ribeiras, nomeadamente ao descer para a zona balnear das Quatro Ribeiras.

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